Sexta-feira, Julho 04, 2008
algo me dizia que uma surpresa linda me aguardava.
meu aniversário ainda é segunda mas ontem eu já comecei a ganhar os presentes.
iupiii, o mundo pode ser do meu jeito!!!
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Quarta-feira, Julho 02, 2008
'Como é difícil encontrar o amor, filho. É que amor de verdade não é feito só de pele. O que o torna amor é ser feito de alma. Sua matéria-prima é cumplicidade. Você pode se relacionar há anos, ser casado com uma pessoa e não ser dela um cúmplice. Se ela não disser sim, não há o que eu chamo de amor. Cumplicidade, filho, é alguma coisa que você pode conquistar com alguém que parece estar longe. Uma pessoa com quem você se corresponde, por exemplo, pode chegar tão perto do seu coração, mesmo que você não a conheça fisicamente. Isso é amor. Amor de alma. Era o que eu tinha com seu pai. E tinha todo o resto também. Mas parece que as melhores coisas da vida são mesmo as mais difíceis de se encontrar.'
Daqui
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Sexta-feira, Junho 27, 2008
Se o mundo é do jeito que vejo, prefiro acreditar no mundo do meu jeito...
(Renato Russo)
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Segunda-feira, Junho 23, 2008
É incrível a força que as coisas parecem ter quando precisam acontecer, já dizia Caetano Veloso... E tudo sempre acontece, na minha vida, pelo menos, dessa forma doce e meiga... que me deixa com essa sensação de que estou sendo protegida.
Como se alguém me pegasse pela mão me mostrando a direção certa, me tirando do lugar errado.
Thanks!
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Quinta-feira, Maio 08, 2008
Um:
Foi grande o meu amor
não sei o que me deu
quem inventou fui eu
fiz de você o sol da noite primordial
e o mundo fora nós
se resumia a tédio e pó
quando em você tudo se complicou
Dois:
se você quer amar
não basta um só amor
não sei como explicar
um só sempre é demais
pra seres como nós
sujeitos a jogar as fichas todas de uma vez sem temer naufragar
não há lugar pra lamúrias, essas não caem bem
não há lugar pra calúnias
mas por que não nos reinventar
trechos de Três de Antônio Cícero
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Terça-feira, Maio 06, 2008
jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtpsjtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtpsjtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtpsjtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtpsjtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtpsjtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtpsjtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtpsjtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtpsjtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtpsjtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtpsjtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtpsjtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtpsjtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtpsjtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtpsjtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtpsjtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtpsjtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps jtps
e ainda depois.
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Terça-feira, Abril 22, 2008
Foto: Julia Kan
Novidade
Ela veio andando em minha direção. Tinha a boca mais bonita e os mais brancos dentes. As palavras saiam de dentro de um doce sorriso leve, sussurradas e agradáveis de ouvir, quando era possível, porque o mar batia forte e o vento fazia barulho.
Feliz bem-vinda alegrias novo outra amor perfume chocolate atenção vida mudança amora você.
Apesar de saírem dali frases, eu só conseguia entender palavras soltas e ela falava cada vez mais suave e perto do meu ouvido.
Depois de um abraço demorado, apertou minha mão, abriu um belo e escancarado sorriso e me fitou com grandes olhos negros e brilhantes de tão feliz.
Ainda rindo, jogou a cabeça para trás, como quem transborda de alegria, e encostando a boca na minha orelha disse simples e pausadamente, como quem repete fazendo questão de ser entendido: Vem comigo, no caminho eu te explico.
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Segunda-feira, Abril 14, 2008
O que tem me mantido vivo hoje é a ilusão ou a esperança dessa coisa, "esse lugar confuso", o Amor um dia. E de repente te proíbem isso. Eu tenho me sentido muito mal vendo minha capacidade de amar sendo destroçada, proibida, impedida.
Caio Fernando Abreu
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Segunda-feira, Abril 07, 2008
Sete de Abril
Podia até parecer com um dia qualquer.
Não foi.
Apesar da chuva que não parava de cair um segundo sequer, das incertezas que um dia comum costuma ter, não lembrava, nem de longe, um dia como os outros.
Passou como se junto com ele rodasse, numa realidade paralela qualquer, um filme dos maiores momentos de felicidade.
Era dia especial até a alma, sobretudo porque era sete, simplesmente porque era Abril, inclusive porque era momento de recomeçar, principalemente porque era hora de fazer coisas que jamais imaginei ser capaz.
Era dia que passa, mas não fica esquecido nem tem silêncio.
Tem lá os seus hiatos necessários, mas têm sorrisos no fundo da sala, alegria de se superar e a voz dela que jamais será esquecida e sentindo tão igual... uma alegria diferente de todas as outras, uma saudade do que não foi, uma falta do tanto, do tudo, mas que precisa ir...
A alegria tranquila e em paz, mas não sem dor, da certeza de fazer a coisa certa...
E lembra de outros poucos dias assim, que não precisariam acabar: deixam gosto doce, lembrança de boca melada. Que quando a gente passa a língua, sente restinho de gosto bom junto com a lembrança da felicidade temporária, daquele exato momento em que degustava, mas que a gente sabe tanto que aquele prazer era único... que mesmo que tenha repeteco nunca vai ser a mesma coisa.
Gosto do que não se repete.
Dia para recordar, para não esquecer mais, para continuar amanhã...
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Terça-feira, Abril 01, 2008
Aprendi com as primaveras a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira.
Cecília Meireles em Desenho
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Terça-feira, Março 25, 2008
hoje a tristeza não é passageira...
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Sexta-feira, Março 21, 2008
Foto: Cris Carriconde
Despedida # 9
Mais um vez seu cheiro se foi, esgueirou-se das minhas mãos e eu incrédula, peralta, frenética, quis mais um sopro, uma última gota de saliva para deixar nadar por entre os meus dentes, sobre a minha língua, para guardar comigo algo seu.
Só mais uma gota de suor, o gosto salgado do seu pescoço, o gosto amargo de perfume recém-chegado à sua nuca, atrás das suas orelhas ou entre os seus seios. Só mais uma gota dos líquidos que moram entre as suas pernas, a textura do seu dorso, o movimento dos seus quadris, o formato dos seus lábios, a malícia de suas curvas... só um outro pouco de você, eternamente, antes que você se vá mais uma vez para sempre.
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Quinta-feira, Março 13, 2008
Quando a lua apareceu
Ninguém sonhava mais do que eu
Já era tarde, mas a noite é uma criança distraída
Depois que eu envelhecer
Ninguém precisa mais me dizer
Como é estranho ser humano nessas horas de partida
Ah, é o fim da picada
Depois da estrada começa uma grande avenida
No fim da avenida, existe uma chance, uma sorte, uma nova saída
Qual é a moral? Qual vai ser o final dessa história?
Eu não tenho nada pra dizer por isso digo
Eu não tenho muito o que perder, por isso jogo
Eu não tenho hora pra morrer, por isso sonho
Ah, são coisas da vida...
Ah, e a gente se olha e não sabe se vai ou se fica...
[Coisas da Vida de Rita Lee]
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Quinta-feira, Março 06, 2008
faço
desfaço
refaço
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Terça-feira, Março 04, 2008
- Dói tanto que parece que não vai passar nunca.
- Sempre passa... eu não já te disse que tudo passa!?
- É, você disse...
- Então?
- Mas as vezes dói muito e eu duvido.
- Mas passa, escreva o que eu to dizendo: vai passar. Eu garanto!
- Vai mesmo? E se não passar, se eu ficar sentindo isso para sempre?
- Para sempre? Mas eu já te disse que para sempre não existe...
nenhuma dor é para sempre e poucos amores o são de verdade.
A grande maioria dos “amores eternos” só são eternos no momento
em que se sente e as palavras acabam sendo pronunciadas levianamente...
- Mas esse é.
- O que?
- Amor eterno.
- É?
- Eu tenho certeza.
- ...
- ...
- É, então eu não sei.
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Quinta-feira, Fevereiro 28, 2008
"sempre corri atrás de mim como uma criança atrás de um balão levado pelo vento
eu era o vento e não sabia"
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Segunda-feira, Fevereiro 18, 2008
Correu tanto e tão rápido que quase conseguiu fugir de si mesma.
Ofegante, bochechas rosadas, muito suor, peito arfando. Enquanto escondia o porta retrato, pensou mais uma vez no diagnóstico: “Repertório de comportamento limitado”. Quase riu, mas lembrou que feliz mesmo, só começo. Final sempre dói.
Enquanto se olhava cuidadosa e benevolentemente no espelho, se deu conta do incrível amálgama de contradições que se tornou e falou alto, muito alto, quase gritando, que é preciso ter coragem até para ser feliz.
Na garganta, sentiu o choro chegando. Água fria. Ducha forte. Suspiro. Entrou no banho com a certeza de que ninguém vai notar que ela jamais será a mesma.
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Quinta-feira, Fevereiro 14, 2008
gente é outra alegria diferente das estrelas
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Quarta-feira, Fevereiro 06, 2008
ela desatinou, viu chegar quarta-feira
acabar brincadeira, bandeiras se desmanchando
e ela inda está sambando...
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Sexta-feira, Fevereiro 01, 2008
Como vai? Tudo bem
Apesar contudo todavia mas porém
As águas vão rolar, não vou chorar
Se por acaso morrer do coração
É sinal que amei demais
Mas enquanto estou viva
Cheia de graça
Talvez ainda faça
Um monte de gente feliz
trecho de Saúde - Rita Lee
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Quinta-feira, Janeiro 31, 2008
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
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Domingo, Janeiro 20, 2008
jt
Só quando estamos assim desse jeito, com a minha pele bem pertinho da sua, sentindo o ventinho da sua respiração ainda quase ofegante bem de perto, com o meu nariz na altura do seu pescoço sentindo esse cheiro que só você tem, nesse nosso abraço que deixa cada centímetro quadrado dos nossos corpos em contato, sentindo sua boca procurando a minha para mais um beijo, seu pé encostado no meu, nos entregando a essa paz que se assenta, só quando estamos assim é que eu me sinto irremediavelmente feliz.
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Terça-feira, Janeiro 15, 2008
Mais uma vez aquela vontade de voar com gaiola e tudo.
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Jamais havia jogado.
Um dia teve que aprender.
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Dá uma vontade de não ser, exatamente quando se é com toda força.
(Clarice Lispector)
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"Aconteceu sem um sino pra tocar"
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Segunda-feira, Janeiro 14, 2008
VAMOS COMEÇAR COLOCANDO UM PONTO FINAL.
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Quinta-feira, Janeiro 10, 2008
Enquanto tudo derrete
Há dias vinha pensando naquela moça.
O seu rosto moreno, o sorriso infantil, sua voz e o jeito que dançava aquela música que tocou no rádio.
Por diversas vezes pareceu voltar àquele apartamento em frente ao mar com uma cama no alto, de onde viram tantas luas e nasceres de sol.
Quis muito correr de volta no tempo para poder dizer a ela o tanto que sentia, mas naquela época supunha não ter vocabulário suficiente para se fazer entender.
Sonhou com ela umas duas ou três, releu as cartas, lembrou da Greta, das fotos, dos pequenos corações de madeira e teve vontade de tocar mais uma vez a raiz dos seus cabelos.
Hoje, ao mexer em antigos documentos, encontrou as asas que ela lhe dera para ‘conquistar o céu’. Lembrou de um tempo em que, sem hesitar, trocaria asas quaisquer por correntes.
E é claro que tudo isso não era pensado: era vivido.
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Segunda-feira, Dezembro 31, 2007
Balanço
E lá se vai 2007. Passou correndo, o danado.
Começou de mansinho, com uma quietação de causar enfado, mas rapidinho tomou tento o sujeito, e quem diria, surpreendeu. Bom moço. Comportado, deu para manter seguras as rédeas. Não foi tão simples passar por ele sorrindo, espinha ereta, sanidade mental em dia e ainda assim, continuar com o coração numa cadência perfeita, mas posso garantir que os momentos de felicidade estão registrados na retina da memória.
Teve muito aprendizado e pouco dinheiro.
Muitos planos e pouca farra.
Muito calor e muito frio.
Momentos inesquecíveis.
Me apaixonei várias vezes pela mesma pessoa.
Escrevi pouco, viajei menos ainda.
Quase montei uma produtora.
Conheci muita gente que vale a pena conhecer mais um pouquinho.
Bebi muita água e cuidei melhor do meu corpo.
Senti muita saudade.
Vi luas incríveis.
Perdi um amigo.
Comecei o curso de fotografia.
Comprei um computador novo.
Emagreci um pouco.
Falei em público pela primeira vez e apesar do pânico, deu tudo certo.
Não fiquei doente uma vez sequer e vi Chico Buarque bem de pertinho.
Descobri que sexo por sexo não é a minha praia.
Ganhei um trabalho que me faz feliz.
Me senti muito perto de Rafaela, apesar de estarmos há quilômetros de distância.
Aprendi muito, consegui melhorar muito pouco.
Minha mãe veio morar perto de mim e eu redescobri as dores e delícias de ser filha.
Meus cabelos estão crescendo, surpreendentemente, sem me envergonhar.
Tomei mais coca light do que devia .
Dormi menos.
Corri mais.
Aprendi que sentir amor é uma coisa, exercê-lo é outra.
Percebi que o processo de elaboração de cada um, traz uma bagagem, uma forma de perceber o mundo
tão íntima e complexa, que não permite julgamentos, incapacitando-nos de interferir nas vidas uns dos outros.
Entendi que independente do que eu sinta - por mais forte, puro e sincero que seja - há coisas que não posso mudar
sozinha com a força do meu amor.
Descobri que por mais que eu queira jamais aprenderei a jogar.
Tive muitos sonhos enquanto estava acordada.
Dores e delícias, música, poesia, texto livre, chocolate, dias lindos de sol com céu azulzinho, tempestade,
carinho nos cabelos, abraço apertado, beijos muitos, amigos, esseemeesses de tirar o fôlego, Piaf, Nina Simone,
Harold and Maude, Carmem, Nelson Freire, sorvete de manga com chocolate, Chicas, gato, gente, Mônica Salmaso,
Garcia Marquez, cafés da manhã no Parque Lage, feliz, amor, amigos, Florbela, sorrisos, Búzios, Mart’nália, colorido, café,
Caio Fernando Abreu, Fante, Clarice.
Que dois mil e oito venha par!
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Quinta-feira, Dezembro 27, 2007
O segredo sentou-se em sua boca. Acomodou-se. Cruzou a pernas.
Markus Zusak em A Menina que Roubava Livros
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Quinta-feira, Dezembro 20, 2007
"Tem gente que ama a gente.
E que tem gente que ama a gente como a gente quer ser amado."
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Sexta-feira, Dezembro 14, 2007
Despedida s/n
Eram reais aqueles olhos, tinham um tom tépido de despedida.
A boca tremia de leve junto com outros muitos músculos da face, enquanto repetia palavras breves com um tom de adeus friamente novo.
O coração parecia ter deixado em suspenso os batimentos naquele intervalo de tempo cruel que fazia com que aqueles minutos, segundos talvez, parecessem horas.
Morreu um pouco.
Saiu como se levasse apenas o corpo desabitado de alma.
Pensou ao longo do caminho o quanto vai ser difícil continuar vivendo sem aquela moça que adornara, durante tanto tempo, seus momentos agudos de felicidade.
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Quinta-feira, Dezembro 13, 2007
O amor é um cão dos diabos
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Terça-feira, Dezembro 11, 2007
Eu acredito em Ano Novo.
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Quinta-feira, Dezembro 06, 2007
Deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver nascer uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado.
Para uma avenca partindo - Caio Fernando Abreu em O ovo apunhalado
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Terça-feira, Dezembro 04, 2007

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Sábado, Dezembro 01, 2007
Volver
Ontem mexi em papéis. Velhas cartas, retratos amarelando, escritos antigos. Nem de longe pareciam comigo palavras e fotos. Fiquei pensando em como podemos mudar enquanto continuamos sendo os mesmos. Revivi histórias, cheguei a sentir cheiros, presenças, saudades profundas e uma vontade incontrolável de voltar no tempo. Voltei. Incrível como o passado tem o poder de metamorfosear-se jogando sobre si uma camada generosa de marshmallow. E essa quantidade desmedida de lembranças que temos onde ficam guardadas? Onde ficam arquivadas tantas histórias e gentes?! Esse tipo de viagem no tempo da memória dura muito... E não passa a vontade de que novos antigos papéis nunca mais deixem de aparecer.
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Quarta-feira, Novembro 28, 2007
Chamo-te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.
Peço-te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só de teus olhares me purifique e acabe.
Há muitas coisas que não quero ver.
Peço-te que sejas o presente.
Peço-te que inundes tudo.
E que o teu reino antes do tempo venha
E se derrame sobre a terra
Em primavera feroz precipitado
Sophia de Mello Breyner
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Terça-feira, Novembro 20, 2007
Ela pegou na minha mão, disse a mais doce de todas as palavras e se foi.
Enquanto tentava sincronizar os passos, onde os pés pareciam pertencer cada um a um ser diferente, olhava para trás tentando me ver pela última vez.
Foi aí que eu sorri com vontade de chorar, devolvi o beijo de longe e me mantive fingindo rir para que ela pudesse seguir relativamente feliz.
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Quarta-feira, Novembro 14, 2007
Tropeçavas nos astros desastrada
mas pra mim foste a estrela entre as estrelas.
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Segunda-feira, Novembro 12, 2007
Quando eu não sei quem encontrar, para onde ir, com que roupa sair ou o que comer, pode ter certeza: estou triste.
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Quarta-feira, Novembro 07, 2007
Toca Chico Buarque na minha vida
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Quarta-feira, Outubro 31, 2007
Não estou preocupado. Estou preocupado em existir. Existir é sibilante. Enfim, o existir não me confunde nada. O que me confunde é a vontade súbita de me dizer, de me confessar, às vezes eu penso que alguém está dentro de mim, não alguém totalmente desconhecido, mas alguém que se parece a mim mesmo, que tem delicadas excressências, uns pontos rosados, outros mais escuros, um rosado vermelho indefinido, e quando chego bem perto dos pequenos círculos, quando tento fixá-los, vejo que eles têm vida própria, que não são imóveis, que eles se contraem, se expandem, que eles estão à espera...... de quê? De meus atos.
Hilda Hilst
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Domingo, Outubro 21, 2007
Mesmo calada a boca, resta o peito
[Cálice - Chico Buarque e Gilberto Gil]
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Sábado, Outubro 13, 2007
Dra. Amarilys, Cardiologista
A estrada era margeada por uma vegetação esquisitamente ressecada e um pouco antes do taxi parar, avistei uma árvore cheia de flores amarelas que destoava do restante da paisagem. A rua era longa e eu não conseguia ver onde terminava, se terminava. Ao descer do taxi vi a placa quase completamente apagada pelo tempo; nela estava escrito em azul e amarelo: Dra. Amarilys - Cardiologista.
O consultório ficava num sobrado cor de rosa. Tinta gasta, janelas fechadas, tudo protegido por um portão da altura dos meus joelhos e ele era fechado por um cadeado.
Toquei a campainha. Depois de longa espera uma garota de cabelos exageradamente compridos apareceu na porta de cima com um imenso molho de chaves na mão. Enquanto descia as escadas, deixou cair muitas vezes. Quando finalmente chegou ao pequeno portão de entrada, disse, me olhando fixamente por trás dos óculos de graus fortes, que a doutora já estava a minha espera. Experimentou umas oito chaves antes de acertar a que abriu finalmente o cadeado.
Na subida, o cheiro de azinhavre era forte. Talvez fosse aquele corrimão antigo como tudo por ali. A porta foi aberta por uma senhora muito pequena, não tinha características típicas de anã, mas era menor que uma criança de 8 anos. Tinha olhos claros e esbugalhados, usava uma maquiagem forte e uma peruca de cachos curtos e loiros. Suas unhas eram muito longas, vermelhas e tinham, todas elas, as pontas sujas e descascadas também pelo tempo. Apertou a minha mão e me chamando pelo nome, perguntou o que me levara até ali. Fez um sinal de que eu a seguisse por um longo e estreito corredor. Ao se virar, vi que ela carregava nas costas uma enorme corcova quase saindo pela blusa florida de seda que tinha os botões para trás. Essa visão me fez esquecer de responder a pergunta.
Ela parou no meio do caminho e se virou olhando para cima, coçou a cabeça com a ponta da unha do indicador; isso fez com que sua peruca balançasse discretamente e ela perguntou mais uma vez:
- O que a trouxe aqui menina?
Respondi que estivera sentindo tristezas e alegrias desmedidas que se intercalavam ao longo dos meus dias. As minhas emoções estavam afloradas ao extremo. Também, dores muito fortes no peito, numa região muito próxima ao coração e o mais estranho: algumas vezes ele houvera parado de bater, porém nada acontecera comigo. Ela levantou as sobrancelhas, balançou a cabeça positivamente e tirou do bolso uma chave maior que a própria mão. Abriu uma porta tão pequena que quase tive que entrar de gatinho para não bater com a cabeça no portal. Era um consultório médico. Imagino que como os do século retrasado, mas era um consultório médico. Sentei na cadeira em frente indicada por ela. Sentada, minha cabeça quase encostava no teto e o cheiro de guardado tomava conta de cada centímetro daquela sala minúscula. Em cima da mesa, um crânio fora transformado em porta canetas e um estetoscópio jurássico aguardava a hora do exame clínico.
Ela pôs um par de óculos na ponta do nariz, começou a fazer perguntas em cima de perguntas, com sua voz rouca e grave, de forma que eu quase não tinha chance de respondê-las. Numa folha de papel amarelada, fazia anotações com enorme rapidez. A letra era ininteligível e eu desconfio que usava códigos, símbolos ou coisa que os valha.
Mediu minha pressão, me auscultou. Pediu que eu a acompanhasse seguindo mais uma vez pelo longo corredor... Dessa vez a porta era gigantesca e um homem grande e com a cabeça num formato levemente aquadradado me cumprimentou sorrindo com simpatia. Ele tinha uns dois metros de altura, era muito jovem, pele claríssima e tinha um dos olhares mais afetuosos que já vi. Me indicou, com a cabeça, que entrasse na sala. Essa era completamente branca, nada havia que fosse de outra cor. Uma maca de pernas curtas estava instalada ao fundo, e na mesa de canto logo na entrada, um vaso de flores de plástico cheirava a flores de verdade.
Ele me pediu que deitasse na maca e fechasse os olhos.
Sem questionar deitei e com os olhos fechados, senti a aproximação da doutora pelo cheiro, que era uma mistura de perfume, poeira e naftalina. Suas mãos me tocavam vestidas por luvas de borracha. Em seguida um barulho ensurdecedor de serra elétrica me fez ter o ímpeto de abrir os olhos; não conseguia. Tinha a sensação exata de que serrava meu tórax e na total ausência de dor, sentia conforto. Sentia também suas mãos pequenas mexendo em algo dentro da minha caixa torácica e afastando as minhas costelas, ela dizia bem próximo ao meu ouvido, como quem cochicha: São dois... dois corações como eu havia desconfiado. O que você quer que eu faça, menina? Mantê-los-ei ou te arranco um?
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Domingo, Setembro 30, 2007
Me questiono se realmente tenho vivido.
Será que é assim com todo mundo?
Ou será que algumas pessoas têm mais talento do que outros para viver?
Ou há pessoas que nunca vivem; simplesmente existem?
Então o medo me pega e vejo um retrato horrível de mim mesma.
Eu nunca amadureci. Meu rosto e meu corpo envelheceram.
Adquiri memórias e experiências,
mas por dentro nunca nasci.
Charlotte para Eva em Sonata de Outono de Ingmar Bergman
rabiscado por Melina
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Sexta-feira, Setembro 28, 2007
Minha Falzinha, você voltou... Quanta saudade...
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Quarta-feira, Setembro 26, 2007
Hoje eu quero apenas uma pausa de mil compassos
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Sexta-feira, Setembro 21, 2007
Um final de semana florido para vocês também!
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Vi Harold and Maude (que em portugês ganhou o título de Ensina-me a Viver) da melhor maneira que há.
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Quinta-feira, Setembro 20, 2007
"O meu amor exige deslumbramento"
[Pagu]
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Segunda-feira, Setembro 17, 2007
Mudou tudo, tanto e tão rápido.
Na verdade nem mudou. Só tomou um formato novo e não menos delicado.
Eles já não eram mais os mesmos. Ou eram tão os mesmos, que não poderiam continuar sendo, ali, estáticos, aqueles seres apaixonados, vivendo daquele amor etéreo, daquelas porções tão fantásticas quanto ínfimas de graça e privança; mas continua sendo o amor mais bonito que se ouviu contar.
Eram dois à mesma proporção que era um só e por isso mesmo tiveram a idéia de multiplicar as perguntas na tentativa de diluir as respostas. E elas, surpreendentemente, se tornaram cada vez menos respondíveis.
Respeitando as não-respostas, conduzindo desajeitadamente o tal porvir, eles, que têm uma capacidade surpreendente de esperar, conservam uma misteriosa certeza: a de que alguém, quiçá, esse mesmo dono da folha em branco, numa noite de especial inspiração, escreverá com sua pena azul marinho, o mais belo final feliz.
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Domingo, Setembro 16, 2007
Quero muito ter de volta aquela alegria e aquela disposição para a vida que eu tive quando te conheci.
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Preciso (urgentemente) reaprender

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Sábado, Setembro 15, 2007
sabe aquela luz no fim do túnel?
pois é.
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Sexta-feira, Setembro 14, 2007
Sonhei com Chico de novo.
Eu e Maria estávamos indo à uma festa na casa dele. Subíamos uma ledeira enorme e quando conseguimos tocar a campanhia, estávamos loucamente ofegantes. Ele nos recebia na porta com um sorriso tímido típico dele, os olhos tinham um tom de azul surpreendente e ele nos levava até a varanda para que conseguíssemos ver o mar e o céu azul marinho, pegava o violão e começava a cantar: 'Não se afobe não que nada é pra já...' .
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Coloquei o sistema de comentários aqui. Comportem-se!
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Quarta-feira, Setembro 12, 2007
eu quero a sorte de um amor tranqüilo...
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Terça-feira, Setembro 11, 2007
www.maggietaylor.com
Feliz aquela que efabulou o romance depois de o ter vivido
Sophia de Mello Breyner
Despedida # 11
Então aqui estão eles, aqueles sentimentos de novo. Mais uma vez aquela velha necessidade de despedir-se. Desfazer as malas e fazer de conta que dessa vez nos afastaremos eternamente de nossas vidas. E de novo o chão fende-se, eu caio no vácuo, sofro por mil, choro por horas, sinto aquela mesma velha dor mais uma vez.
E assim você se vai de novo e eu fico com o mesmo medo de continuar vivendo, com o mesmo antigo susto de nos cruzarmos nos elevadores, no trânsito, em sonho, em pensamentos.
Recolho os porta-retratos, as memórias, as mensagens de texto.
Outra vez é hora de recomeçar a desconstruir um passado que já se foi, o calor incerto.
Derrotarei as reminiscências do velho tempo bom em que eu te ofertava as asas e você me oferecia âncora.
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Sábado, Setembro 08, 2007
Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz.
[Saint-Exupéry em O Pequeno Príncipe ]
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Quarta-feira, Setembro 05, 2007
Sabe a sensação de que esse é, definitivamente, o amor da sua vida?
Pois é.
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Terça-feira, Setembro 04, 2007
Era uma vez
Uma mulher
Que via
Um futuro
Grandioso
Para
Cada homem
Que a tocava
Um dia
Ela se tocou
[Alice Ruiz]
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Quinta-feira, Agosto 30, 2007
Estou grávida. São dois: um irmão e um sobrinho ao mesmo tempo.
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Terça-feira, Agosto 28, 2007
o meu abraço mais apertado, o meu melhor beijo, as minhas palavras mais delicadas, os meus gestos mais acolhedores e todo o meu amor, para Fal.
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Sábado, Agosto 25, 2007
Maggie Taylor
Ela sabia que não era, por ora, a mesma que fora naquela manhã. Algo havia mudado nos seus formatos, nos fonemas pronunciados, na forma de se ver refletida no espelho de si mesma. Era uma outra ela. Uma ela melhor, menos ébria pela vida. Era como se seus pés estivessem nas nuvens e, ao mesmo tempo, os percebessem fincados no chão. Repetidas vezes se perguntou baixinho: “em que momento crescemos?” “qual o exato momento em que mudamos?”. Se respondeu muitas vezes, cada vez uma resposta diferente. Só aí conseguia se reconhecer. É que ela não tinha mesmo, antes de mudar, o hábito de ter certezas.
Talvez tenha sido a visão do mar: o anil da manhã que virou verde no final da tarde, que se transformava em cor de chumbo quando escurecia o céu.
Quando anoiteceu ela virou outra. Parecia magia, cinema ou novela. Mas não, era vida real acontecendo com ela acordada. Logo com essa moça que tem o hábito de sonhar sonhos antes de dormir, começa a acordada sonhar realidades...
E ela continuou ali, cuidadosamente sentindo tudo de um jeito diferente e ouvindo a si mesma, uma voz que saía de algum lugar de dentro de si entrava por todos os poros e por cada um dos buracos da sua cabeça preenchendo sua alma de certezas, aquelas que ela raramente havia experimentado. E assim, pegou cada palavra nova, cada nova sensação, todas as recém-inauguradas vontades; juntou tudo na palma das mãos e como quem acolhe um gato filhote, um pássaro recém caído do ninho, levou até o peito e ficou quieta, sentindo o ronronar, o farfalhar de asas, aquele desabrochar de si mesma, aquela nova mulher que veio finalmente morar dentro dela.
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Sexta-feira, Agosto 24, 2007
Nosso sonho se perdeu no fio da vida e eu vou embora sem mais feridas, sem despedidas. Eu quero ver o mar.
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Terça-feira, Agosto 21, 2007
Ele – Mudou...
Ela – Velha?
Ele – Bonita!
Ela – Casei.
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Domingo, Agosto 12, 2007
'Não trocaria por nada neste mundo as delícias do meu desassossego'
[Gabriel García Marquez em Memória de Minhas Putas Tristes ]
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Terça-feira, Agosto 07, 2007
A dor e a delícia de ser o que se é
Mais um dia em que tudo não deu nem certo nem errado e lá se foi ela caminhar para esquecer sabe-se lá de quê. Umas tragadas do cigarro que havia abandonado há tempos, celular desligado para que ninguém interrompesse o silêncio, pão, presunto, queijo prato, coca light. A dor de estômago parece reaparecer e nos últimos dias mais uma novidade: uma dor nas costas que nunca houvera experimentado. Pensou que não tem sentido saudade de nada nem de ninguém nos últimos tempos. Talvez dela mas ela tem sido cada vez mais rara. Então ficou assim: nada que a tenha feito sentir saudade nos últimos tempos. No meio do caminho uma angústia súbita, e ela se pegou com um semblante quase triste. Tratou de consertar as sobrancelhas e colocou um quase sorriso no jeito de olhar para o chão. Na sua memória ainda tocava a música do sonho da noite anterior. Riu de si mesma e da quantidade de vezes que vem sonhando com aquela moça. Pensou no quanto a vida tem andado sem graça apesar das delícias de certas descobertas recentes e dos pequenos momentos de felicidade diários. Por um minuto apenas, segundos talvez, refez sua história desde o dia que nasceu até aquele momento de solidão absoluta e necessária, passando pelas tais dores e delícias. Se percebeu tão perto e tão longe de si mesma que a única solução foi dividir tantas sensações contraditórias com o gato que veio recebê-la feliz na soleira da porta de entrada, selando aquela amizade genuína com um beijo entre as orelhas.
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Sábado, Agosto 04, 2007
" a dor e a delícia de ser o que é"
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Segunda-feira, Julho 30, 2007
Um parto no meio da rua
Hoje vi uma jovem, muito jovem moradora de rua tendo seu bebê na calçada.
Quando ela iniciou o seu trabalho de parto, na madrugada anterior, foi uma das noites mais frias que já vivenciei desde que moro aqui no Rio de Janeiro, ainda que dentro do meu apartamento, munida de pijama de flanela, edredom e cobertor. O dia de hoje também amanheceu um gelo e ela teve o bebê sozinha no meio da rua fria.
Fria de temperatura e fria de gentilezas. Ela pediu ajuda a muitos transeuntes, nenhum dos abordados parou para olhar para a ela sequer. Seguiam seus caminhos com os relógios que correm urgentes, com a pressa que nos é própria. Estamos sempre sendo “obrigados” a correr, a só olhar para nós mesmos e não conseguimos enxergar um palmo diante dos nossos interesses.
Ela era jovem, pedia ajuda e paria ali no meio da rua e no frio. E eu não fiz nada, não olhei em seus olhos, não apertei sua mão. Quando me aproximei, vi a cabeça daquela criança branca coroando no corpo negro de sua mãe. Estava muito frio e a criança pálida sequer chorou. Parecia morta. O Corpo de Bombeiros chegou para finalizar os procedimentos do parto de improviso. Diante de uns olhares curiosos e outros indiferentes, o cordão umbilical foi cortado, ela colocada numa maca, o bebê enrolado no cobertor usado por ela na noite passada e eles seguiram juntos seus caminhos e eu segui o meu.
Aquele conjunto de cenas não me saiu da cabeça durante todo o dia e o meu corpo até agora sente os reflexos daquela hora.
Onde vamos parar com a violência das nossas indiferenças? Até quando o outro vai ser apenas mais um? Quando vamos aprender a nos colocarmos no lugar do outro e fazer a este o que gostaríamos que nos fosse feito?
Essas foram as perguntas que me fiz ininterruptamente.
Não consegui me responder.
Jovem e pariu numa calçada da Zona Sul do Rio de Janeiro.
Ela não sabe que tem direito a um pré-natal e a uma maternidade? Ou ela pensa que quem dorme nas calçadas sob o olhar desatento e indiferente de cada um de nós não tem direitos?
Nunca saberei.
Uma amiga foi visitá-los. É um menino. No meio da tarde já havia mamado, apesar de a mãe ainda estar seqüelada, talvez uma droga consumida na noite para suportar o frio da madruga ao relento. Ela queria cinco reais, não sabia muito bem para quê, quem sabe o hábito de pedir... E ele ainda não tinha nome.
Só imagino o quanto essa vida nova que chega, tem o seu início já marcado pelo alheamento e desamparo.
E se nós, que nascemos em maternidades, fomos criados em locais fechados e protegidos, tivemos pais mais ou menos instruídos, cometemos lá os nossos absurdos: furamos filas, sonegamos impostos, damos um trocado ao guarda para nos livrar da multa, furamos os sinais vermelhos, enganamos no troco, jogamos o papel da bala no meio da rua, criticamos o amigo por trás, julgamos as pessoas pelas suas atitudes, deixamos que as atitudes alheias determinem as nossas; que absurdos não tem o direito de cometer quem nasce no meio da rua fria naquelas condições?
Mais perguntas sem respostas.
Espero que ele nos surpreenda com um futuro decente e valores melhores do que o que temos hoje, apesar de não dormirmos no sereno.
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Domingo, Julho 29, 2007
Frio e chuva. O céu tem as mais espessas nuvens que eu já tive a oportunidade de ver. Claras de tão cinza mesmo sendo madrugada, parecem azuis. Três blusas são insuficientes para me aquecer do frio que faz nessa cidade a essa hora. É tarde para quem ainda não dormiu e cedo para quem já acorda. E a alegria da solidão, essa que tenho tido um prazer assustador em ter como companhia, tem me escoltado pelos dias e noites. O que era inquietação virou contentamento. E eu que venho sentindo medo da satisfação mórbida da consciência de estar só, não saberia responder a pergunta que ninguém fez. Não permitiria ainda dividir espaços e momentos. É cedo para isso. A solidão não mais me assombra, me compraz. Não atormenta; alegra e absorve. Não mais queima; aquenta. Apavora o hábito da solidão e a constatação vem da inércia de me sentir aquecida, apesar da rajada de vento gélido que escoa pela fresta da janela aberta, pelo calor de um amorfo edredom colorido.
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Sexta-feira, Julho 27, 2007
'Um bom encontro é de dois'
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Quinta-feira, Julho 26, 2007
Carla e Jaime
Carlinha pega o pincel, Jaime saca a garrafa de vinho. A música está alta e ela grita para que ele possa ouvir o ‘eu te amo’. O macacão manchado com tinta faz de Carlinha a mulher mais charmosa do mundo aos olhos de Jaime que está levemente descabelado, sem cueca e com um short velho com manchas de gotas de água sanitária. Mesmo assim ele é o homem mais lindo do planeta e ela ama o jeito idiota que ele tem de olhar nos olhos dela e de perguntar mil vezes as mesmas coisas. Jaime sempre esquece a data do aniversário de casamento e Carla sempre manda flores para que ele não esqueça... mas ele sempre esquece o porquê dos girassóis. Ela é romântica e ele é o cara mais distraído que já cruzou o seu caminho. Ele abre o vinho doce, dança esquisitamente e Carla ri. Ele fica olhando enquanto ela pinta cantarolando errado, e no mais alto dos volumes, a música com o seu fio de voz. Ele suspira de felicidade e fala só com os lábios 'eu te amo também e muito'. Carla adora quando ele fala sem som. Ela joga a cabeça para trás, solta uma gargalha que em silêncio, pisca os dois olhos para ele e volta a toda concentração do mundo para os detalhes do seu quadro colorido. Ele desce do sofá e afoito, abraça Carla, beija sua nuca exposta debaixo do seu enorme rabo de cavalo. Ela sente com todo o seu corpo a felicidade daquele momento e assim começa mais uma noite: Carla e Jaime fazem o maior amor do mundo.
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"Olha, meu amor, o mundo dói só numa banda do outro lado é samba, do outro lado é samba "
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Quarta-feira, Julho 25, 2007
'olha, meu amor, a vida dói só numa parte, do outro lado é arte e eu vim te buscar'
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Terça-feira, Julho 24, 2007
PC
Ele chegou deliciosamente. Devoro cada detalhe desta nova maravilha minha. Só minha e que está a meu dispor vinte e quatro horas por dia: quente, rijo, forte, másculo, sensual, discreta e unicamente meu.Mexo nas bodas, nos pêlos, na cores, músculos e cantos. Com ele eu posso ser eu. Displicentemente, categoricamente eu. Cada poro, cada sarda, cada suspiro; só meu, ele só pertence a mim. O brilho no olhar é nosso. As cores, o tesão irrepreensível, os suores, o vai e vem, as secreções. Agora somos só nós, com ou contra o mundo. Somos agora só eu e ele na sala branca. Sem nada e com tudo.
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Segunda-feira, Julho 23, 2007
O ciúme lançou sua flecha preta
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Terça-feira, Julho 17, 2007
Ver-te ao alcance da boca, eu nem posso acreditar
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Segunda-feira, Julho 16, 2007
Sonho
Flutuávamos no ar sem pára-quedas. A sensação era das melhores apesar do nervosismo contido no suor das mãos. Enquanto acostumávamos a nos sentir mais leves que o ar, sentíamos o prazer de estarmos sob o sol ainda brando que acabara de nascer. Vimos como o amanhecer do alto do Rio de Janeiro é emocionante: a Lagoa dourada, o Cristo recebendo os primeiros raios de sol, Copacabana, Baía de Guanabara.
Ela estava comigo e, passado o torpor de nos percebermos voando, falávamos sobre as coisas da vida, ríamos de alegria e os nossos olhos se mantinham continuadamente marejados tamanha era a emoção.
Em meio a um grupo de desconhecidos muito simpáticos e amáveis; também sorridentes, pareciam estar acostumados àquela experiência divina.
A manhã chegava com o seu melhor tom de azul, poucas nuvens, e quando o sol já crestava sem piedade, os pés começavam a sentir falta do chão que costuma estar sob eles. Sentamos para descansar numa pedra ainda morna e o nosso abraço me fez acordar com a melhor das sensações que é possível ter. Sensação essa que reverberou durante todo aquele dia e ainda fica aqui guardada, dando sinais intermitentes de leveza e prazer até agora.
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'coisas que só o coração pode enteder'
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eu
baseado no ulisses de Clarice
Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso pouco e mal as palavras. Sou irritável e firo facilmente. Também sou nervosa e perdôo logo. Não esqueço nunca e há poucas coisas que eu me não lembro e muitas que eu não esqueço. Não sou paciente, e sou profundamente colérica. Tenho uma paz profunda, somente porque ela é profunda
e não pode ser sequer atingida por mim mesma. Se fosse alcançável por mim, eu não teria um minuto de paz.
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Segunda-feira, Julho 09, 2007
Qual minha maior fraqueza?
Hummm. Meu coração. No sentido emocional-sentimental.
Eu preciso muito ser amado. Meu grande problema é ser
amado cada vez mais, e é por isso que eu escrevo.
Sou um ninfomaníaco do coração.
(Gabriel Garcia Marquez - Entrevista à Playboy, janeiro de 83 - trechos)
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Terça-feira, Julho 03, 2007
Rendas e bordados
Inspirado em Celita
É... eu fico aqui pensando na velhice, nos poucos fios de cabelos que ainda não estão grisalhos, nas dores que sinto nas pernas e costas. Tenho que comprar absorvente para Mariana... mas como essa menina cresceu! Tá bonita, inteligente, emagreceu! Não fico satisfeita quando ela fica zanzando de um lado para o outro com essas saias curtas e essas camisetas sem soutien. Me deixa nervosa esse tempo enorme que ela perde no telefone, mas não vamos mais brigar por causa disso. Eu não quero mais me enraivar e ser chamada de mesquinha. Ela é muito sem educação na hora de discutir. Mariana acha que eu sou burra, deve ser porque eu falo pouco... mas eu vejo tudo. Tenho que comprar sabonete e papel higiênico e eu já não enxergo as coisas direito, esses óculos estão muito ruins. Tenho que ligar para Carolina porque é aniversário dela hoje. Tomara que ela não me invente de fazer bolo e comprar guaraná de péssima qualidade para amontoar aquele monte de velhas fedendo a naftalina naquele conjugado em Copacabana. Fico impressionada como perdi o controle das minhas mãos, elas tremem muito e essa menina está parecida com a mãe. Mas a mãe dela era mais bonita e infinitamente mais educada. Mariana fala alto, ouve umas músicas esquisitas, não sabe tocar um instrumento. Quantas dores nas costas, meu deus! Fico olhando para as minhas mãos que já foram tão bonitas e suaves, se transformaram nesse monte de pregas e manchas escuras, e os meus olhos... meus peitos, tudo ficou tão flácido e murcho, e eu era tão bonita, perdi a docilidade, e a vontade de sonhar... mas sonhar para quê? Daqui a pouco eu estarei me despedindo desse mundo e eu tenho que varrer essa sala que está tão empoeirada... essas empregadas não valem nada! Eu fico me perguntando se Mariana é feliz. Acho tão bonitinho quando ela deita ali no sofá para ler... e olha lá como ela fica passando a mão nos cabelos, igualzinha a mãe. Não sei se ela gosta de mim como eu gosto dela... e como faz frio nesse apartamento escuro... É fogo, quando a gente vai ficando velha, os nossos amigos vão morrendo e os mais jovens não sabem fazer companhia para a gente, não nos entende e os velhos que ficaram são tão chatos quanto nós e é tudo muito chato! Nós deveríamos viver até os sessenta anos, depois disso tudo fica cinza e eu tenho que ver se o meu dinheiro saiu. Ir à rua para mim é um sacrifício inenarrável, mas tudo que eu faço nessa vida é por Mariana. Como ela é bonitinha... tem umas pernas bonitas, as minhas também já foram assim um dia e hoje em dia estão assim, tão cheias de peles soltas... nasceram umas pintas brancas tão estranhas e os meus pés só sabem doer, o médico disse que eu estou com osteoporose e na televisão não passa nada que preste. Mariana fica olhando para mim, acho que ela fica com pena ... lá vem ela... ah meu Deus do céu, como eu adoro quando ela faz carinho nos meus cabelos e me dá esse beijo gostoso na bochecha... não acredito que mais uma vez ela me chamou de "minha velhinha querida"... essa menina... só rindo mesmo...!
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Segunda-feira, Junho 25, 2007
Nunca mais
Nem morta
Não quero
Não posso
Não devo
Hum...
Então tá.
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'Caminhando na ponta dos pés como quem pisa nos corações'
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Sábado, Junho 23, 2007
"Que esforço eu faço para ser eu mesma.
Luto contra a maré de mim".
Clarice Lispector em Perto do Coração Selvagem
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Terça-feira, Junho 19, 2007
Eu queria escrever sobre o dia lindo de céu azul com sol que está fazendo hoje. Sobre a música de João Gilberto que eu ouvi enquanto tomava banho de manhã cedo. Sobre o livro que eu comecei a ler ontem e que quase não me deixou dormir. Sobre mim. Sobre a as paixões terrenas ou o forte poder que você exerce sobre mim... mas não dá, eu só consigo ficar atenta ao celular esperando uma mensagem sua. O Diabo inventou o SMS!
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Eu gosto dos que tem fome, dos que morrem de vontade, dos que secam de desejo, dos que ardem
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Quarta-feira, Junho 06, 2007
Acho que eu só estava mesmo precisando dessa sensação de que não vale a pena para que pudesse desistir, abrir a porta e voltar a me sentir livre.
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Segunda-feira, Maio 21, 2007
um beijo aqui, outro ali e pronto: me acertaste entre os seios.
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Quinta-feira, Maio 17, 2007
pausa de fração de semifusa
Nem despedida, nem aparte. Só final, e final feliz por tudo que foi e pelo que vai continuar sendo. E assim ela se foi: saiu pela porta da frente, sem despedir-se nem anunciar. Nada de beijo ou abraço derradeiro. Simplesmente descarrilou deixando todos os cheiros, sensações de abraço e as melhores lembranças que alguém ou alguma coisa pode deixar marcado na vida alheia. Teve choro e lágrimas, mas também teve riso e jeito de amor eterno no final. Ficou como recordação doce e sutil, daquelas que transbordam pelo canto da boca num sorriso discreto ou no brilho dos olhos. Esgueirou-se, bateu a porta, trancou por fora e guardou as chaves em lugar forte e seguro. Gritou do lado de fora que um dia volta para me salvar. Não sei se choro ou se rio. Acho que espero.
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Terça-feira, Maio 15, 2007
Há meros devaneios tolos a me torturar
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Sexta-feira, Maio 11, 2007
Quando (não) acaba
As imagens ficaram perdidas nos céus de nuvens azuis e pores de sol embaçados. Você me matou mais uma vez. Morri de novo no seu colo e o meu lado da cama foi ocupado por travesseiros de cores variadas na tentativa de parecer comigo. Eu os pus lá como quem cresta com a ausência, como quem mata aos bocadinhos pela saudade e você me disse sussurrando, enquanto eu quase não conseguia mais respirar, que um dia me encontraria onde quer que eu fosse. Mas você não vem, você não chega nunca e fez de mim uma espera pessoalizada vagando pela claridade que quase me cega. Eu não lembro mais das linhas tom sobre tom que moram bem no centro dos seus olhos, não lembro mais do gosto quase doce que tem a sua saliva, não sei dizer do gosto do seu corpo, do seu cheiro suado, das suas mãos enormes me afogando dentro da boca, nem das nossas lágrimas fervendo salgadas... sim eu reconheço os seus gritos, sei que estás aqui bem perto, sinto que estás por vir, sei, sim eu sei, porque sei que você jamais mataria sem morrer.
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Sexta-feira, Abril 20, 2007
Negativo! Meu coração bateu forte e as minhas mãos suaram frias.
Ufa, o pesadelo acabou!
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Quinta-feira, Abril 19, 2007
Senão é como amar uma mulher só linda
E daí? Uma mulher tem que ter
Qualquer coisa além de beleza
Qualquer coisa de triste
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado
Uma beleza que vem da tristeza
De se saber mulher
Samba da Benção - Vinicius de Moraes
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Quinta-feira, Abril 12, 2007
Despedida # 10
Foi uma gargalhada deliciosa, daquelas que vêm direto do peito para fora, passando pelas amígdalas e vazando por entre os dentes branquinhos que ela tem. Ela era feliz naquela época. Ria de chorar das bobagens que eu contava. Falávamos de amenidades e coisas sérias sobre a vida. Era o melhor beijo, o abraço mais gostoso e os fios de cabelos tinham, cada um deles, o melhor cheiro que existe. A boca ficava irresistível dentro de algumas palavras pronunciadas como só ela era capaz de fazer, e quando ia embora, deixava sempre o cheiro das suas mãos nas minhas. Ontem o cheiro dela estava nas escadas... e assim como aquela gargalhada que lhe arrancou lágrimas de tão boa, tudo acaba um dia e não era ela que iria durar para sempre.
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Terça-feira, Abril 10, 2007
Eu fico com essa dor ou essa dor tem que morrer
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Um lugar deve existir
Uma espécie de bazar
Onde os sonhos extraviados
Vão parar
Chico Buarque e Edu Lobo - A Moça do Sonho
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Quinta-feira, Abril 05, 2007
Eu e eles
Sorríamos abraçados, eu sabia que era bom e engraçado mas não lembrava exatamente o que era. Um cheiro de pitanga estava discretamente tomando conta
do ar e eles falavam coisas no meu ouvido que me levavam a ter um momento de felicidade diferente de todos que já havia experimentado.
Ele mexia nos meus cabelos enquanto ele guardava seus óculos numa caixa azul e eu pensava que nem sequer sabia que ele estava usando óculos tão bonitos.
Cantávamos algo desafinadamente e eu sentia o braço de um deles encostando no meu, no mesmo momento que sentia o abraço do outro encostando seu queixo
com cavanhaque no meu ombro. Eu via o rosto deles bem de perto e estávamos os três felizes, sentados num enorme banco de praça colorido. Saudade dos meus irmãos...
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Quarta-feira, Março 28, 2007
Disse que tinha medo de envelhecer e olhou para o outro lado tentando esconder as lágrimas, ainda que discretas, brotando nos seus olhos. Com o indicador coçou o alto da cabeça, com o antebraço enxugou disfarçadamente os olhos e me tomou pelo braço continuando a caminhada com aquela velha alegria que me ofertava momentos de felicidade desde a infância. Me sentou no banco no meio do jardim e discorreu sobre onde mora a juventude das pessoas. Enquanto ela falava das delícias da vida, eu observava sua pele branquinha, cada sulco, dos milhares que moram no seu rosto, nos seus cabelos alvos e na juventude nada discreta.
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Segunda-feira, Março 26, 2007
Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente
Preciso conduzir
Um tempo de te amar
Te amando devagar
E urgentemente
Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez
Que recolhe todo o sentimento
E bota no corpo uma outra vez
Prometo te querer
Até o amor cair
Doente
Doente
Prefiro então partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente
Depois de te perder
Te encontro, com certeza
Talvez num tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei, como encantado
Ao lado teu
Todo o Sentimento de Cristóvão Bastos e Chico Buarque/1987
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Quinta-feira, Março 15, 2007
. vamos começar colocando um ponto final
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Sexta-feira, Fevereiro 16, 2007
tempo tempo tempo mano velho
*****
banheiro feminino
Ela ainda não entendera como as coisas funcionavam e qual a relação absoluta que existia entre o coração e as sensações irreveláveis que teimava em ter
enquanto prestava atenção nos movimentos da professora de língua portuguesa.
Cada detalhe tinha sua atenção inteira: as mãos sujas de pó de giz branco, os lábios cor de rosa que diziam palavras doces ainda que cheias de pontos,
interrogações e pronomes de posse, as pernas branquinhas debaixo da saia cor de jeans...
Ela, lá do canto esquerdo no final da sala, sentia o palpitar do coraçãozinho batendo dentro do seus quase peitos doloridos e um suor que vinha sem calor.
As bochechas vermelhas também a denunciavam. A torcida era sempre para que nunca mais soasse o sino anunciando o final da aula. Mas ele sempre
tocava e ela ia sempre correndo reler o que escrevera um dia com a letra disfarçada na porta bege do banheiro feminino: "Professora Marta eu te amo!".
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Agora que eu não posso mais caber em ti não quero te ver
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carnaval
Não saia do meu lado
Segure o meu pierrot molhado
E vamos embolar ladeira abaixo
Acho que a chuva ajuda a gente a se ver
Venha, veja, beija, deixa, seja o que Deus quiser

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Terça-feira, Fevereiro 13, 2007
Perdi tudo. Todas as minhas mais preciosas palavras escritas, minha agenda de telefones e datas de aniversários, minha coleção de palavras.
Tudo o que eu já escrevi na vida e nunca publiquei. Todos os meus escritos impublicáveis eu perdi. É como se eu tivesse perdido todos os meus documentos, todas as minhas fotos. Como se tivesse esquecido dentro de um ônibus para o infinito as minhas melhores lembranças. Estou muito triste.
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Sexta-feira, Fevereiro 09, 2007
Ela disse que homens não entendem absolutamente nada de mulher.
Eu concordei.
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sou um móbile solto no furacão
qualquer calmaria me dá solidão
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Quinta-feira, Fevereiro 08, 2007
Campeonato de suspiros. Ganhei. Fui premiada por conseguir colocar para fora um daqueles que vêm lá do profundo e saem como se contivesse ali toda dor. Elas não seguem o seu caminho tão fácil assim, é bem verdade, dor é o tipo de coisa que tem que ser tratada com xícaras de chá servidas em bandejas bem bonitas com biscoitinhos para acompanhar que é para que eles fiquem um pouco mais e sejam sentidas, para que saibamos de onde elas vêm, por que caminho chegaram e para onde vão.
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Terça-feira, Fevereiro 06, 2007
Não, eu não desisti só mudei de vontade.
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fundamental é mesmo o amor
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Quinta-feira, Fevereiro 01, 2007
No ponto de ônibus
Oba! Ela gritou muito alto e com um empolgante "Uhuuu" no final.
As sandálias de tiras marrons deixavam à mostra os pés miúdos respingados de lama.
No sorriso, os dentes avermelhados, restos de caramelo da maçã do amor.
As bochechas rosadas, os frios de cabelos da franja presos à testa pelo suor, o brilho nos olhos azuis e os cílios lourinhos. Sorria com o corpo todo.
Tudo aquilo era a felicidade desmedida típica das alegrias de criança que quase adulto nenhum é capaz de sentir.
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a sua presença entra pelos sete buracos da minha cabeça
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Segunda-feira, Janeiro 29, 2007
fotografei você na minha Rolleiflex revelou-se a sua enorme ingratidão
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R A F A E L A
Rafaela. Menina doce, lindos e negros cachos amarrados num rabo de cavalo discreto, lindos olhos brilhantes, pele branquinha, pequenas sardas marrons. Amo Rafaela.
Quando ela nasceu eu tinha nove anos e foi assim que eu descobri mais um tipo de amor além do amor que se sente pelas mães, único conhecido por mim até aquele momento, com aquela força e com aquele aspecto brilhoso, colorido e incondicional, afinal aquele ser minúsculo só chorava, raramente sorria e foi com um impacto medonho que descobri que ela sequer me reconhecia.
Ela crescia rápido ao mesmo tempo que era lentamente para a minha ansiedade. Eu queria saber logo quem ela ia ser, com a ingenuidade de quem não sabia que ela já era.
Quando vim morar no Rio ela estava com os mesmos nove que eu tinha quando ela nasceu. Meu coração ficava apertadinho porque eu queria-porque-queria vê-la crescer. Mas eu tinha que fazer uma opção entre essas duas e a que venceu, por muitas e não mais valiosas razões, foi a mudança de cidade. Assim, fiquei na ilusão de que poderia acompanhar os nossos crescimentos de longe podendo estar perto nas férias.
A cada visita, um susto. Ela estava cada vez maior e mais encantadora... Em outubro do ano passado, estivemos juntas mais uma vez e eu pude ver de pertinho o quanto ela se tornou uma mulher linda, forte e inteligente. Adentramos as noites falando sobre amor, amizade, música e literatura. Agora foi a vez dela de mudar de cidade, conhecer outro lugar. Mudar de cenário, amigos e hábitos. Deixar o passado para trás e continuar escrevendo sua história num lugar diferente.
Isso nos faz ficar um pouco mais distantes fisicamente, apesar de sabermos que sempre estaremos em nossos corações.
Rafa, é minha sobrinha, minha amiga, minha companheira de jornada e estaremos juntas, sempre, onde quer que eu vá.
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Terça-feira, Janeiro 23, 2007
cinco erros conceituais
1- culpados são sempre culpados
2- o sucesso dificilmente nasce do trabalho
3- quem critica é inimigo
4- o culto das aparências
5- a passividade diante da injustiça
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Segunda-feira, Janeiro 22, 2007
mais sobre verdades e mentiras
,ela trouxe pincéis e pintou deliciosamente durante toda a tarde. Eram muitos tons de cinza, azuis e lilases, belas misturas de cores parecidas.
Depois tirou o chapéu, despiu as luvas como quem tira toda a roupa vagarosamente e deitou o seu corpo pálido e esguio ao meu lado. Senti culpa por não ter dito a verdade - mais uma vez as verdades...
No meio da noite chorei baixinho. Ela quase acordou, me abraçou delicadamente e beijou meus olhos salgados. Achei que fosse acordar, mas continuou a dormir numa paz hipotética. Nos olhos, os cílios avermelhados, os lábios como se fosse um único risco cor-de-rosa e sardas. Sardas castanhas bailavam sobre o seu colo alvo . Sono típico de quem tem a consciência tranqüila.
Levantei, fiz um chá, fiquei na sala vendo o dia amanhecer, e enquanto observava os diamantes de poeira flutuando entre os raios de sol, senti mais um nó na garganta, vi que os olhos estavam inundando e pensei que quero dizer toda a verdade, sobretudo para mim mesma.
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Quinta-feira, Janeiro 18, 2007
Enquanto ela se distraía com a pulseira cor de rosa, eu pensava que ela nem imaginava o que se passava pela minha cabeça naquele momento esdrúxulo.
Contar a verdade, revelar o inconfessável. Ela sempre disse que verdade é melhor que mentira.
Éramos seis à mesa e ela agora teimava em observar o próprio anel antigo como se nunca tivesse visto antes.
Ali todos falavam alto, gesticulavam, riam. Eu em silêncio fingia ler o cardápio atenciosamente mas observava o nariz bonito quase grande demais para seu rosto, as pestanas avermelhadas abrindo e fechando lentamente formavam um conjunto harmonioso com as sardas que descansavam sobre o seu colo.
Ela, pele rosada de tão branca, rugas discretas ao redor dos olhos e timidez. Os olhos viviam procurando se esconder pelos cantos das paredes, nos detalhes óbvios dos objetos de decoração desinteressantes, nas fechaduras comuns das portas. E aquele lugar tinha muitas portas e janelas.
Tínhamos tempo para timidez, tínhamos todo o tempo do mundo, mas tem que ser hoje, agora! Era como se fosse uma ordem de mim mesma. E eu não conseguia dizer tudo que era para ser dito, falar aquela verdade me atormentava. Construí um mundo de mentiras honestas e joguei dentro aquele ser tão indefeso, frágil, arfando por verdades.
Muitas vezes vislumbrei essa ação quase paralisada. Esse objeto de desejo sedento de vontade de escapar, sair correndo, esbandeirado, numa autofagia até que fosse esquecido, substituído por uma mentira, mas não uma mentira qualquer, uma mentira preocupada com detalhes, com minúcias, uma mentira com cores, cheiros e elementos da natureza; com começo, meio e fim, contendo até o que não foi relatado.
Era a hora, a vez de ser eu, regurgitar as verdades que fariam doer, rasgar, ensurdecer os ouvidos, cristalizar o coração, e aqueles olhos perdidos ficariam um pouco mais tontos, um tantinho mais tristes, muito mais cabisbaixos até que inchassem depois de tanto choro.
Eu sabia, algo soprava em meu ouvido, era a hora e eu sentia um nó frondoso se constituindo na minha garganta, língua travada e foi alí, logo ali que eu blefei, saí pela tangente: levantei faceira, sacudi a saia, murchei a barriga enquanto coçava um dos olhos que começou a chorar, sorri blasé e pedi licença para desistir da verdade e ir até o banheiro.
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Saco cheio de me alimentar só de biscoito de maizena com leite. Não, nenhum tipo de dieta nova, falta de saco nuns dias, falta de dinheiro noutros. Se esse meu jeito ansioso de querer resolver umas coisas agora, e deixar outras sempre para amanhã irrita a mim, deve irritar a você também. Eu grito e ele faz de conta que não é com ele que eu tô falando, mania de me fazer de louca. Ih, ela disse de novo aquelas coisas que deixam meu coração apertadinho. Meu deus, porque eu tenho que amar tanto essa mulher? Vontade de só comer bobagens e ficar em cima da cama o dia inteiro vendo filme, lendo e fazendo carinho nos meus gatos. Vou comprar ingressos, finalmente, para ver A Alma Imoral. Cada vez mais essa história de rotular pessoas me deixa mais irritada. O que é que vai mudar, na vida das pessoas, saber com quem Zé divide a porra da cama? Muita gente me odeia quando eu digo essa frase mas o fato é de que eu estou simplesmente adorando esse verão-sem-sol-com-chuva-e-friozinho. Depois de tanto tempo descobri que a história de "eu não tenho talento para grupos" é um equívoco quando o assunto é o grupo de amigos de infência que eu conheci na sexta passada. Não tenho saco para aquele calorão horroroso dos verões. Hoje queria ver um filme que me sacudisse. Ah, também estou pensando seriamente em escrever sem colocar títulos nos textos.
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Quarta-feira, Janeiro 17, 2007
Acorda amor
Sonhei que eu, Chico e Marieta estavávamos na varanda da minha casa. Era uma varanda gigantesca e de frente para o mar. Eu e Marieta conversávamos como se fôssemos íntimas e ela me dizia que estava muito feliz em ver que eu e ele - Isso mesmo, Chico - estávamos namorando e tão felizes...
Desejei não acordar nunca mais.
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Por trás de um homem triste há sempre uma mulher feliz
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Terça-feira, Janeiro 16, 2007
Foram tantas palavras ditas sem escrúpulos e não parava de doer. Mas a dor era bem aqui: cinco dedos a cima do umbigo, uns três dedos abaixo dos seios para dentro, mais ou menos onde deve ficar o estômago.
Apesar de quase não pertencer a categoria das dores físicas, doía forte num órgão novo que até aquele momento eu desconhecia a presença dentro de mim, ao mesmo tempo era como se fosse uma dor na alma buscando um jeito de se materializar. Doeu durante muito tempo e aqueles dez ou quinze minutos pareciam com horas e ele me olhava dentro dos olhos como se estivesse tentando me matar por meio de um magnetismo qualquer.
Aqueles olhos arregalados como num susto me fitavam com uma ira profunda. Àquela altura, eu já estava cansada de conhecer cada uma das veias avermelhadas de dentro dos seus olhos, todos os poros da sua testa e do seu nariz bonito, os fios grossos e desalinhados das suas sobrancelhas, o desenho dos seus lábios.
Não parecia acabar nunca aquele hipnotismo, e ele parecia querer sugar a minha própria vida, reduzi-la a algo qualquer que coubesse na palma da sua mão, onde ele seria capaz de esmagar até que não restasse uma poeira de mim.
Eu não conseguia sentir nada além da dor; medo, raiva, pena, arrependimento, não sentia nada.
Depois de longa pausa, cerrou os olhos, foi se afastando com calma, como uma serpente prestes a dar o bote indefectível, me olhou mais uma vez, agora de tão longe que a miopia não me permitia sequer enxergar os seus olhos, o suor formava pequenas bolhas na sua testa e fazia com que os cabelos ficassem grudados á sua cabeça.
Depois de uma pausa mínima ele disse com a voz mais doce que um homem é capaz de ter, que eu o havia partido em mil pedaços.
Saiu com jeito de quem não volta mais e a noite caiu toda de uma vez. Foi assim que eu me dei conta do incrível amálgama de contradições que eu sou: sensível e não obstante, tão insensível, imaginativa e não obstante, tão sem imaginação.
/ Inspirado por Carol de Patrícia Highsmith /
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Sexta-feira, Janeiro 12, 2007
Das alegrias capazes de brotar de lugar qualquer
Não temia mais nada. Já acontecera tudo que é tipo de coisa ruim em sua vida ainda imatura.
Foi mãe que morreu de parto, pai que bebia até a exaustão, o homem da sua vida que foi embora com outra, doença rara te contendo os rins, madrasta que era má; e ela ali, firme como uma rocha, impávida com seu par de olhos negros e graúdos, cílios alongados numa bela maquiagem, robusta sobre suas pernas bem torneadas, corpo ereto, pele branca, rija com seus dentes perfeitamente enfileirados dentro do sorriso cor de rosa, colo farto num decote irrepreensível.
Com brilho nos olhos depois de uma palavra feliz, gargalhava como se o passado tivesse sido minuciosamente bordado de cor-de-rosa.
Fazia questão de carregar, dos pés a cabeça, o mimetismo terminante do lado bom da vida.
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Quarta-feira, Janeiro 10, 2007
Sinto que estou de pé num deserto com as mãos estendidas, e você chove torrencialmente sobre mim
[Patrícia Highsmith em Carol]
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Segunda-feira, Janeiro 08, 2007
Um Show Estonteante
Eu já sabia, meu Deus
Tão fulgurante visão
Não se produz duas vezes no mesmo lugar...
[Renata Maria - Chico Buarque - CD Carioca 2006]
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Quarta-feira, Janeiro 03, 2007
7 coisas para fazer este ano
Escrever mais
Ler mais
Comer melhor
Beber mais água
Cuidar melhor da alma
Ser mais leve
Olhar mais para mim
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Despedida # 9
Mais um vez seu cheiro se foi, esgueirou-se das minhas mãos e eu incrédula, peralta, frenética, quis mais um sopro, uma última gota de saliva para deixar nadar por entre os meus dentes, sobre a minha língua, para guardar comigo algo seu.
Só mais uma gota de suor, o gosto salgado do seu pescoço, o gosto amargo de perfume recém-chegado à sua nuca, atrás das suas orelhas ou entre os seus seios. Só mais uma gota dos líquidos que moram entre as suas pernas, a textura do seu dorso, o movimento dos seus quadris, o formato dos seus lábios, a malícia de suas curvas...
Só um outro pouco de você, eternamente, antes que você se vá mais uma vez para sempre.
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Sexta-feira, Dezembro 29, 2006
2006 e 2007
Eita ano bom esse! Passou rápido fazendo ventinho e deixando cheiro bom no ar... agora ele vai caminhando quase rápido com passos largos e cuidadosos até uma hora que vira outro e esse outro começa cabreiro, tímido, com cheiro de novo, depois começa a acelerar os passos e é de lá que vem um bando de surpresas e novidades que a gente só fica sabendo se caminhar junto com ele acompanhando o ritmo, respirando fundo, tentando manter a mente tranqüila, a saúde em ordem, o coração em paz e a inteligência funcionando.
Esse ano teve coisa boa e não tão boa assim como é mesmo a vida ainda. Eu posso dizer que nesse eu aprendi mais um pouquinho sobre mim mesma e tive algumas conquistas íntimas, pessoais e muito importantes.
Teve choro mais do que o necessário e tanto quanto foi suficiente, cresci um pouco, cortei os cabelos o mais curto que foi possível, sofri por amor, voltei para a faculdade e entreguei a famosa monografia.
Fui pouco à praia, voltei a Salvador depois de uma longa pausa e adquiri uma paixãozinha discreta por São Paulo.
Reestruturei a minha vida financeira, conheci um punhado de gente que vale a pena e me aproximei de um monte de outras que se tornaram especialíssimas para mim.
Cuidei mal do meu corpo, escrevi pouco, li menos ainda. Senti muita saudade e pouco frio porque esse ano fez muito calor desde o inverno. Recebi muitas e inesperadas manifestações de carinho, percebi o quanto sou querida pelos meus amigos e vi o quanto é bom ter com quem contar.
Passei pelo momento de maior medo da minha vida, quando tive que atravessar uma enchente com água até quase a cintura no meio de muita chuva, raios e trovoadas. Tive meu apartamento invadido pela água e me mudei para outro muito melhor, num lugar muito melhor com tudo muito melhor.
Descobri a maravilha que é a homeopatia e não fiquei doente uma vez sequer.
Não me curei do ciúme nem emagreci todos os quilos que gostaria.
Não deixei de ser possessiva e continuo ficando sem um centavo depois que pago as contas do mês.
Mas conquistei meu espaço e aprendi coisas que em tempo algum esquecerei.
Hoje sou uma pessoa muito melhor do que aquela que eu era em primeiro de janeiro de dois mil e seis e espero dois mil e sete de braços abertos, peito estufado e sorriso prestes a aparecer entre os lábios.
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Quinta-feira, Dezembro 28, 2006
Acabou?
...não sei para onde vão as tristezas e saudades, talvez elas fiquem pelos sonhos, ou pelas noites para sempre; ou fiquem guardas lá para que durante o dia tenhamos um pouco de paz e quando a escuridão vem, elas voltam sorrateiramente com gosto de sal e amargor.
Ele me disse a coisa mais certa que foram capaz de me dizer sobre essa história e naquele momento em que eu estava sentindo aquele mix de angústia, medo e tristeza profundos, a dupla palavras e olhar foi perfeita para me confortar.
Sei que meia hora depois chegaram duas lindas mensagens no meu celular e eu liguei imediatamente, porque sob esse aspecto eu não sou orgulhosa, e nós nos acalmamos, nos entendemos e deixamos no ar os nossos amores eternos. Chorei de novo. Já tinha chorado desregradamente no banheiro do shopping. Chorei muito, um choro novo, como uma tentativa de materializar a dor em lágrimas na busca de expurgá-la para sempre despejados naqueles papéis higiênicos crespos dos banheiros públicos. Pois é, foi assim que eu fiz no shopping e depois nos braços de B.
Parece que funcionou e eu fui para casa ainda mal. Quis fumar um cigarro mas preferi tomar a homeopatia. Tive um monte de sonhos malucos mas dormi sem intervalos até de manhã e acordei mais leve.
Para onde foram as saudades e tristezas? Devem estar pelos sonhos ou pela noite.
Mas que eu amo eu amo, mas que eu queria eu queria.
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Sexta-feira, Dezembro 22, 2006
Quando chega a hora de mudar o disco
...e fugiam de mim as palavras, enquanto escapavam meia dúzia de lágrimas; outras tantas ficavam presas na garganta que é lugar discreto e seguro.
Ela tinha me dito no dia anterior que eu derramarei muitas lágrimas, depois eu serei feliz. Comecei cedo na esperança de virem os bons momentos. Ela falou dos vinte e oito, tempo bom para renascer ou para morrer de vez. Eu sou vazo ruim.
O nó, ah, o velho e bom nó-na-garganta. Muitas vezes eles doem. E eu não conseguia dizer as coisas que sentia porque, nesses momentos eu sequer sei usar as palavras.
Era sol lá fora. Sol de céu azul e tudo... mas a areia estava tão molhada e fria que os pés sentiam a sola gelada enquanto queimava o peito.
**
..minha vida está em (mais uma) fase de arrumação... Os móveis estavam fora do lugar: tinha geladeira na sala, armários no meio da cozinha, sofá no banheiro, cristaleira no quarto e poeira acumulando em absolutamente todos os cantos. Eu tô tentando colocar as coisas no lugar certo com movimentos delicados, cuidando dos detalhes, acendendo incenso, colocando flores e música para me ver melhor...
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Terça-feira, Dezembro 19, 2006
A arte de escrever e comentar num blog
Quando a gente tem blog tudo vira motivo de escrever.
Então nós começamos a escrever sobre um monte de bobagens que nós (só nós) acharíamos interessante e acabamos descobrindo que um monte de outros tarados blogueiros acabaram achando interessante a bobagem que a nós achamos que só a nós interessaria. Sendo assim, coloquei um espaço destinado aos comentários que serão muito bem vindos (se vierem um dia) se a abordagem for educada, fina e delicada como eu.
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Segunda-feira, Dezembro 18, 2006
Apesar do calor lá fora sob o sol, lá dentro estava muito frio e quase escuro como as madrugadas dos invernos mais severos.
Ela chegou sozinha e como que descobrindo lá dentro da semi escuridão um tesouro, sorriu para a mulher do balcão com a simpatia própria dos verões.
Sentou na primeira mesa vazia, ocupou mais um lugar além do seu com a bolsa e algumas sacolas. Abriu o cardápio, escolheu o prato com a rapidez de quem já saiu de casa sabendo o que tinha vontade de comer, pegou no livro como se fosse um amigo e como numa conversa gostosa, teve cada centímetro da sua atenção atraída como um imã.
Tempos depois o garçom lhe trouxe o prato fumegante que foi devorado sem que sequer desviasse os olhos do livro espesso.
Daqui eu consegui enxergar os pêlos dos braços arrepiarem, assim como os bicos dos seios e, com calma, ela se abraçava como quem reclama contidamente do frio para si mesma e em silêncio.
Um café, a conta, óculos escuros e lá se foi com a alegria transparente da solidão necessária.
rabiscado por Melina
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